A avaliação e atualização de tabelas salariais é um dos pilares da gestão estratégica de Recursos Humanos (RH). Garantir que a remuneração de uma organização seja justa, competitiva e alinhada às condições do mercado é essencial para atrair, reter e motivar talentos. A prática de realizar benchmarking de mercado é uma das ferramentas mais poderosas nesse processo, pois oferece dados atualizados sobre a remuneração praticada por outras empresas do mesmo setor e região.
No entanto, a simples utilização de dados de mercado não é suficiente. É necessário que a organização adote estratégias de equidade interna e competitividade externa para equilibrar as necessidades do negócio e as expectativas dos colaboradores. Este artigo discute como avaliar e atualizar as tabelas salariais com base em benchmarking, abordando tanto a importância de dados salariais de mercado quanto as melhores práticas para garantir equidade interna e competitividade externa.
O Papel do Benchmarking de Mercado na Avaliação Salarial
O benchmarking salarial é a prática de comparar as tabelas salariais de uma empresa com as de outras organizações do mercado, com o objetivo de entender o posicionamento relativo em relação aos salários praticados para cargos semelhantes. Essa prática pode ser feita com base em pesquisas externas, como relatórios de consultorias especializadas, dados de associações do setor ou bancos de dados de salários que disponibilizam informações segmentadas por função, nível hierárquico, localização geográfica e porte da empresa.
O uso de dados salariais de mercado oferece várias vantagens:
1. Competitividade no Mercado: A principal vantagem de realizar um benchmarking salarial é garantir que os salários da empresa sejam competitivos o suficiente para atrair e reter talentos qualificados. Se os salários forem significativamente abaixo da média de mercado, a organização pode enfrentar dificuldades em preencher vagas e manter seus colaboradores engajados.
2. Análise de Tendências e Setores: O benchmarking também ajuda a identificar tendências salariais, como variações de remuneração por setor ou mudanças nas expectativas de mercado (ex.: a crescente valorização de habilidades técnicas específicas ou a remuneração de funções híbridas).
3. Ajustes Econômicos e Regionais: Além de considerar a indústria e o porte da empresa, é fundamental que os dados salariais de mercado também considerem a localização geográfica. Empresas de uma mesma região podem ter realidades econômicas muito distintas, o que exige ajustes salariais específicos para cada localidade.
4. Inovação em Benefícios e Remuneração Variável: As pesquisas externas frequentemente incluem benefícios e bônus praticados no mercado. Isso permite que a empresa repense não apenas a remuneração fixa, mas também a remuneração variável e os pacotes de benefícios, promovendo um alinhamento com as melhores práticas de mercado.
Estratégias para Garantir Equidade Interna e Competitividade Externa
Embora o benchmarking de mercado forneça dados valiosos sobre o mercado, as organizações devem garantir que a equidade interna seja mantida e que os ajustes salariais não criem disparidades internas. A seguir, apresentamos algumas estratégias-chave para garantir que as tabelas salariais não apenas acompanhem a competitividade externa, mas também promovam justiça e coerência dentro da própria organização.
1. Equidade Interna: Alinhamento com a Estrutura de Cargos e Competências
Para garantir a equidade interna, a empresa deve começar com um mapeamento claro da estrutura de cargos, considerando as responsabilidades, habilidades e nível de impacto de cada função. Isso significa que as diferenças salariais entre os colaboradores devem ser justificadas por competências, experiência e contribuições individuais.
Ajustes baseados na equidade interna envolvem:
• Analisar a distribuição salarial dentro de cada função para identificar se há distorções.
• Estabelecer faixas salariais bem definidas para cada cargo, com critérios claros de progressão e avaliação.
• Evitar disparidades salariais sem justificativa clara, como a discrepância salarial entre colaboradores com funções e responsabilidades similares.
2. Alinhamento com as Práticas do Mercado: Posicionamento Estratégico
Em relação à competitividade externa, as empresas devem decidir em que percentil do mercado se posicionar. Existem diferentes estratégias que podem ser adotadas:
• Posição conservadora (percentil 25-50): A empresa oferece salários ligeiramente abaixo ou na média do mercado, mas pode compensar com outros fatores, como um bom ambiente de trabalho, benefícios atrativos ou planos de desenvolvimento de carreira.
• Posição competitiva (percentil 50-75): A empresa busca estar no meio ou um pouco acima da média de mercado, o que a torna atrativa para candidatos qualificados sem comprometer excessivamente o orçamento.
• Posição agressiva (percentil 75-90 ou acima): Empresas que querem ser líderes em atratividade salarial podem se posicionar acima da média de mercado. Isso pode ser uma estratégia eficaz para atrair talentos de alto nível, mas deve ser cuidadosamente balanceada com a sustentabilidade financeira da empresa.
Independentemente da escolha do percentil, a empresa deve monitorar continuamente o mercado para ajustar as faixas salariais conforme as mudanças nas condições econômicas e tendências de mercado.
3. Consideração dos Benefícios Adicionais
Além do salário base, o benchmarking salarial deve incluir uma análise abrangente dos benefícios oferecidos pelas empresas concorrentes. Isso inclui:
• Programas de bônus e comissões: A empresa deve avaliar como seus esquemas de bônus e participação nos lucros se comparam aos de outras empresas.
• Benefícios flexíveis: Assistência médica, planos de aposentadoria e outros benefícios não monetários podem ser grandes diferenciais competitivos.
• Qualidade de vida: Programas como home office, bem-estar e incentivo à educação também são fatores que impactam a atratividade da empresa no mercado.
A avaliação e atualização de tabelas salariais com base em benchmarking de mercado é uma prática essencial para garantir que uma empresa esteja competitiva no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que promove equidade interna e justiça salarial. A coleta e análise de dados salariais de mercado proporcionam uma base sólida para a tomada de decisões, permitindo ajustes que atraiam e retenham talentos sem comprometer o equilíbrio financeiro da organização.
No entanto, para que o processo seja bem-sucedido, é imprescindível que a organização adote uma abordagem equilibrada, que leve em consideração tanto a competitividade externa quanto a equidade interna, ajustando as faixas salariais de forma justa, coerente e sustentável.
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